5.2 Reparação do tecido ósseo

Na reparação de tecido ósseo, recomenda-se o uso de comprimentos de onda emitidos no infravermelho, já que nesses casos há a necessidade de maior profundidade de penetração do laser. Além disso, esse comprimento de onda é mais efetivo na ativacão dos mecanismos envolvidos nesse tipo de reparação, inclusive a ativacão da produção de fatores de crescimento, como a BMP (Bone Morphological Protein).
A energia e a fluência utilizadas para a reparação de tecido ósseo é maior do que para tecido mole. Preconiza-se aqui maior número de sessões com doses (energia) variando de 2,5 a 3,4 J por ponto de aplicação, utilizando fluências entre 90 e 120 J/cm².



Ortodontia

-Ação: analgésica, após instalação, troca ou ajuste de arcos; ativação da reparação óssea, após disjunção palatina; modula processo de lise e de formação óssea da região onde houver ativação de uma peça do aparelho ortodôntico.
-Aplicação: na região de ativação da alça ou elástico; sobre a rafe palatina.
-Posologia: nos tratamentos convencionais a aplicação será feita por ocasião da ativação de alças e/ou elásticos. Nos casos de dor aguda, repetir a aplicação após 24 horas. Em relação à disjunção palatina, as aplicações deverão acontecer a cada 72 horas, ou a cada ativação do parafuso expansor, perdurando por até 2 meses após a disjunção ter sido efetivada.
A dose (energia) recomendada é de 2,5J por ponto de aplicação, utilizando fluência de: 90J/cm².

Fonte: Kawasaky e Shimizu (2000); Shimizu et al. (1995); Hon Meng et al.(1995)

Figura 49 - O laser é aplicado na região de pressão e tração óssea e sobre o ápice do dente que sofrer ativação



Periodontia

-Ação: elimina a hipersensibilidade pós-tratamento periodontal, medeia o processo inflamatório, acelera a neo-formação óssea,aumenta a aderência das fibras periodontais.
-Aplicação: sobre a região raspada e sobre as áreas de hipersensibilidade.
-Posologia: as aplicações para eliminação da hipersensibilidade dentinária, deverão ser feitas segundo o protocolo de "hipersensibilidade dentinária". No caso da aplicação para o tratamento periodontal, as aplicações deverão ser realizadas a cada 72 horas durante o primeiro mês de cicatrização óssea.
Obs.: Nos casos mais refratários à formação óssea, o tratamento poderá ser prolongado por mais 1 mês.
A dose (energia) recomendada é de 3,4J por ponto de aplicação, utilizando fluência de: 120J/cm².

Fonte: Silveira et al (2002); Takema et al. (2000); Ozawa et al. (1997); Crespi et al. (1997); Kozlov et al. (1995)


Figura 50 - O laser é aplicado perpendicularmente à região raspada, tanto sobre o osso remanescente, como sobre o tecido mole da região ser reparada.



Traumatologia

-Ação: acelera e melhora a reparação óssea e a cicatrização dos tecidos moles; reduz a dor e edema no pós-operatório.
-Aplicação: nas reparações por primeira intenção, ao longo das bordas da sutura. Nas reparações por segunda intenção, além dessa região, também sobre o leito da ferida.
-Posologia: as aplicações deverão ser realizadas a cada 72 horas, durante o primeiro mês do processo de cicatrização óssea.
A dose (energia) recomendada é de 2,5J por ponto de aplicação, utilizando fluência de: 90J/cm².

Fonte: Limeira-Júnior (2001); Oliveira (1999); Glinkowshi et al. (1995)




Figura 51 - O laser é aplicado sobre a região onde se busca a reparação tecidual. Recomenda-se complementar o tratamento local com a técnica da drenagem linfática de Almeida-Lopes*



Implantologia

-Ação: acelera a reparação óssea; melhora a qualidade histológica.
-Aplicação: diretamente sobre a região de colocação do implante, ao longo de todo o seu eixo, perfazendo um total de cerca de seis pontos por implante.
-Posologia: as aplicações deverão acontecer a cada 72 horas, durante o primeiro mês do processo de cicatrização óssea.
A dose (energia) recomendada é de 2,5J por ponto de aplicação, utilizando fluência de: 90J/cm².

Fonte: Limeira-Júníor (2001); Silva-Júnior (2000); Oliveira (1999); Luger et al. (1998)






Figura 52 - O laser é aplicado ao redor dos implantes e sobre a sutura após seu fechamento. Recomenda-se a utilização da técnica de drenagem linfática de Almeida-Lopes* imediatamente após a colocação dos implantes, para a prevenção do edema pós-cirúrgico.



Exodontia

-Ação: melhora a reparação tecidual; reduz o edema e a dor pós-operatório.
-Aplicação: perpendicularmente ao alvéolo e sobre a região sutura.
-Posologia: nos casos de exodontia traumática, faz-se uma aplicação no pós-operatório imediato para a prevenção de edema pós-cirúrgico. Para tanto, preconiza-se a utilização da Técnica drenagem Linfática de Almeida-Lopes*. A partir da segunda aplicação (que deverá acontecer após 48 horas da cirurgia) serão estabelecidas sessões de aplicação a cada 72 horas, até a redução completa do edema e remissão de sintomatologia dolorosa.
A dose (energia) recomendada é de 1,7 J por ponto de aplicação, utilizando fluência de: 60J/cm².

Fonte: Limeira-Júnior (2001); Silva-júnior, (2000); Kawasak) Shimizu, 2000; Oliveira, 1999; Freitas, 1998.

Figura 53. O laser é aplicado sobre o alvéolo remanescente. Não há necessidade de aplicar o laser dentro do alvéolo, já que os comprimentos de onda emitidos no infravermelho têm grande profundidade de penetração.


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SUMÁRIO


Profa. Dra. LUCIANA ALMEIDA LOPES

RESUMO


1 INTRODUÇÃO

2 FUNDAMENTOS
2.1 Físicos
2.1.1 Luz, Laser e seus Princípios Básicos

2.1.2 Laser de semicondutor
2.1.3 Aspectos históricos do laser
2.1.4 Aspectos teóricos
2.1.4.1 Laseres terapêuticos
2.1.4.2 Conceito de irradiância, fluência e energia depositada
2.1.4.3 Comprimento de onda
2.2 Fundamentos Biológicos
2.2.1 Conceito de foto bioativação

2.2.2 Diferença nos mecanismos de ação entre a luz laser visível e a infravermelha
2.2.3 Atuação da terapia com laser de baixa intensidade
2.2.4 Aplicações clínicas

3 NORMAS DE SEGURANÇA

4 PARÂMETROS AJUSTÁVEIS
a) Seleção do comprimento de onda.
b) Seleção do modo de emissão do laser
c) Seleção da Potência
d) Diâmetro do feixe
e) Fluência
f) Tempo de Aplicação

Considerações gerais

5 INDICAÇÕES CLÍNICAS
5.1 Reparação de tecido mole
5.1.1 Doenças sistémicas com manifestação bucal
5.2 Reparação do tecido ósseo
5.3 Reparação do tecido dental
5.4 Reparação do tecido nervoso
5.5 Outros


6 TÉCNICA DA DRENAGEM LINFÁTICA DE ALMEIDA-LOPES

6.1 Principais redes linfonodais palpáveis de cabeça e pescoço
6.2 Descrição sucinta das principais cadeias de linfonodos palpáveis e de interesse odontológico
6.3 Laser na drenagem linfática



7 CONCLUSÕES


REFERÊNCIAS