Clareamento Dental

Odontologia

O termo clareamento dental se resume quimicamente a uma reação onde ocorre quebra de moléculas cromóforas presentes em grupamentos orgânicos e inorgânicos da estrutura dental.

Durante o clareamento, os pigmentos, constituídos por moléculas carbônicas insaturadas, vão se saturando pela ação local de radicias livras. Assim, as duplas ligações entre os carbonos são desfeitas modificando o espectro de absorção daquelas moléculas, possibilitando assim, uma maior reflexão da luz e, consequentemente, uma estrutura dental mais clara.

A geração dos radicais livres pode ser realizada com o peróxido de hidrogênio ou com a carbamida que, por serem instáveis produzem os radicais livres que proporcionarão a reação de clareamento dental.

O termo clareamento dental se resume quimicamente a uma reação onde ocorre quebra de moléculas cromóforas presentes em grupamentos orgânicos e inorgânicos da estrutura dental. Durante o clareamento, os pigmentos, constituídos por moléculas carbônicas insaturadas, vão se saturando pela ação local de radicais livres. Assim, as duplas ligações entre os carbonos são desfeitas modificando o espectro de absorção daquelas moléculas, possibilitando assim, uma maior reflexão da luz e, consequentemente, uma estrutura dental mais clara. A geração dos radicais livres pode ser realizada com o peróxido de hidrogênio ou com a carbamida que, por serem instáveis produzem os radicais livres que proporcionarão a reação de clareamento dental.

No intuito de provocar a aceleração da reação química diferentes métodos são utilizados no procedimento de clareamento dental. Dentre esses podemos citar:; modificação de pH; aumento da temperatura através da vibração molecular (calor); e catalisadores químicos. Nesse módulo vamos ilustrar as diferentes ações da fotocatalise na aceleração da reação para obter o clareamento dental.

Afim de compreendermos como a luz é capaz de produzir fotocatalise, necessitamos resumidamente entender o que é a luz. A luz é uma forma de energia eletromagnética cujo comprimento de onda se estende desde a radiação gama até a radiação infravermelha, invisíveis ao olho humano. A parte visível do espectro está compreendida num ínfimo intervalo entre a cor violeta e a cor vermelha (Figura 1).

Figura 1 – Espectro eletromagnético.

A figura 1 ilustra as diferentes irradiações com suas respectivas características físicas. Assim, por apresentar energia limitada, a luz visível necessita de uma molécula capaz de absorvê-la para gerar catálise,e consequentemente ocorrer aumento de temperatura. É como expor um material de cor preta ou branca a energia do sol. Com certeza teremos um aumento de temperatura na superfície escura que absorve a luz, enquanto que a superfície clara, refletindo a mesma, não aquecerá. Por conta disso, os agentes clareadores mais efetivos para serem catalisados pela luz são aqueles que possuem cores complementares. A cor da fonte emissora de luz, na maioria dos instrumentos é emitida por “Leds – Light Emission Diodes” azuis, ou seja, se estamos fazendo um clareamento com fonte de luz azul devemos utilizar cores no agente clareador que absorvem o azul, por exemplo, amarelo, vermelho, laranja, violeta. O aquecimento na superfície do gel de clareamento proporciona, pelas leis da cinética química de Arrhenius, um aumento da velocidade da reação de catálise, liberando assim mais rapidamente os radicais livres que serão responsáveis pelo clareamento dental. Essa reação é conhecida como fototermocatalítica. Por outro lado, a radiação infravermelha emitida por laseres de baixa potência é capaz de proporcionar maior vibração em diferentes moléculas. Esse aumento da vibração gera calor na superfície irradiada.

Assim, temos no clareamento dental a possibilidade de proporcionar dois tipos de fotocatalise: uma dependente da absorção da energia luminosa por corantes agregados nos agentes clareadores e ou uma outra por catálise direta utilizando a radiação infravermelha.

Diferentes pesquisas evidenciam resultados semelhantes em efetividade de clareamento, porém diferem estatisticamente em relação ao tempo do procedimento no qual, com fonte de luz proporciona uma reação mais rápida pela fotocatalisação. Na figura 2 observa-se que a taxa de clareamento final é a mesma quando a substância é submetida a fonte de luz, ou não. Porem, é evidente que com a fonte de luz o resultado ocorre mais rapidamente beneficiando assim o desempenho do procedimento de clareamento dental.

Figura 2 – Gráfico demonstrativo da aceleração do procedimento de clareamento com fontes de luz.

Os novos conceitos do clareamento dental com fonte de luz propiciam não somente uma diminuição do tempo do procedimento, mas também a possibilidade de se utilizar concentrações mais baixas do agente clareador obtendo menor possibilidade de sensibilidade, e maior segurança para o paciente, conforme vemos pela figura 3.

Com o advento da nanotecnologia novos conceitos de fotocatalisação foram desenvolvidos, dentre os quais, a incorporação de nanomoléculas fotossensíveis em agentes clareadores possibilitou reações de catalise direta utilizando a luz visível, sem a necessidade de aumento da temperatura. Como vimos, toda essa tecnologia propiciou a diminuição da concentração de agentes clareadores devido a maior eficiência da reação de liberação de radicais livres. Exemplo desse conceito é a incorporação de dióxido de titânio nos agentes clareadores.

Por fim, vimos que a fotocatalisação proporciona tanto a possibilidade de aumentar a velocidade da reação do clareamento dental, bem como viabiliza a diminuição de concentração dos agentes clareadores, diminuindo assim, significativamente o índice de sensibilidade dos pacientes (Figura 2).

Figura 3 – Índice de sensibilidade em função concentração do clareador, exposição ou não fontes de luz e tempo de procedimento.

A busca por uma odontologia minimamente invasiva nos faz pensar em uma mudança nas abordagens estéticas a fim de proporcionar uma maior segurança para os pacientes. O clareamento dental deve ser compreendido como um procedimento restaurativo estético conservador buscando a coloração natural das estruturas dentais que são únicas para cada indivíduo. E para isso devemos cada vez mais preocupar-nos com a indicação de procedimentos personalizados para cada paciente, diminuindo o tempo do procedimento, ou a concentração do agente clareador utilizando, por exemplo, a tecnologia de LASERs e LEDs como fontes de luz.

Hermes Pretel*, CD, Msc., Dr.
* Mestrado e Doutorado – Ciências Odontológicas – Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP.

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